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A Saúde mental na Pandemia

Atualizado: 24 de abr. de 2022

A pandemia fez com que especialistas em saúde mental tivessem papel fundamental ao diagnosticar e tratar os distúrbios psicológicos que afloraram nesse período.

Railson Oliveira - 06 dezembro de 2021

 

Foto: br.freepik.com

Com a chegada da Covid-19 no início de 2020, tivemos que nos adaptar a uma nova realidade para evitar a disseminação do vírus. Para isso, foi obrigatório seguir e respeitar as restrições impostas pelos Governos Estaduais, com a orientação de autoridades da área da saúde, sendo uma delas o isolamento social.


Durante o isolamento, todo o mundo sentiu na pele a necessidade de um abraço, da conversa com os amigos e do contato físico, o que causou um grande impacto em todos, principalmente, na saúde mental.


Antes da pandemia, esse assunto já era bastante preocupante, sendo impactado por fatores sociais, econômicos e até mesmo midiáticos, onde somos rodeados de postagens e da corrida desenfreada pelo “click da felicidade”. Com a chegada da pandemia esse cenário só piorou.


Em pouco tempo, a realidade foi reduzida a apenas uma palavra: casa. Sozinho ou acompanhado? Com todas as garantias básicas de um ser humano? Alguma forma de distração? Internet? De acordo com uma pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no final de 2019, 4,3 milhões de estudantes brasileiros não tinham acesso à internet, por questões financeiras ou por indisponibilidade do serviço em sua localidade.


E até aqueles que tinham condições de estudar e trabalhar de forma remota, começaram a se sentir sobrecarregados já que não havia uma rotina fixa como antes. Sem contar com a dificuldade de se concentrar dentro de casa, seja pelo barulho, a conexão com a internet ou por ter dificuldades no manuseio de alguns equipamentos necessários para o home office.


Você com certeza já deve ter sentindo a sensação de estar sobrecarregado, ainda mais se você é do tipo que fica acessando as mídias sociais, onde você encontra várias pessoas mostrando somente as coisas boas em seus perfis, e incentivando as pessoas a aproveitar a pandemia para aprender um novo idioma, a cozinhar ou cultivar sua própria horta, o que não faltou foram opções de lives durante esse isolamento.


Segundo uma pesquisa encomendada pelo Fórum Econômico Mundial e realizada pelo instituto Ipsos, 53% dos brasileiros afirmaram que a sua saúde emocional e mental piorou desde o inicio da pandemia, e o Brasil ocupa a 5° entre os 30 países que participaram desta pesquisa, ficando atrás somente da Turquia (61%), Chile (56%), Hungria (56%) e a Itália com 54%.




A pandemia de Covid-19 também gerou um aumento global em distúrbios como a ansiedade e a depressão. Segundo a pesquisa, foram cerca de 53 milhões de novos casos de depressão e 76 milhões de ansiedade somente no ano de 2020, e entre os públicos mais afetados com esses distúrbios estão as mulheres e os jovens, afirma Damian Santomauro, o autor principal deste estudo.


Foto do arquivo pessoal do Pro. Julio César Hoenisch

O Professor e coordenador do curso de Psicologia, de Ciências Biológicas e Saúde, e especializado em psicopatologia da UCSal, Julio César Hoenisch, nos deu orientações de como lidar com as mudanças do cotidiano imposta pela pandemia, para que possamos manter a saúde mental.


Como consigo manter a minha saúde mental saudável, mesmo com os problemas recorrentes do dia a dia ?


Não há uma fórmula pronta para isso, já que temos uma diferença entre as faixa etária, classe social e vulnerabilidades, como é o caso da população negra no Brasil. Sabemos, através dos determinantes sociais em saúde mental, que acesso a emprego, renda, serviços médicos e educação reduzem o risco de agravos. Ter uma vida autêntica ajuda muito, ou seja, viver buscando atender todas as demandas dos outros de maneira irrefletida, não nos ajuda. Ter acesso a amigos, uma rede social boa, de suporte, é bastante útil, assim como estabelecer um tempo para o lazer.


Como evitar uma sobrecarga mental ?


Tenha um tempo para não fazer nada, ou seja, um tempo vago, sem tv, computador ou celular. Veja o que lhe ocorreu fazer. Desligue-se do "mundo" e busque experimentar como você se sente. Isso é uma bússola boa para evitar sobrecargas e o burnout (Distúrbio psíquico causado pela exaustão extrema).


O que fazer quando estamos esgotados mentalmente ? Assistir um filme, ler um livro ou conversar com alguém sobre o assunto ?


Uma vez instalado o esgotamento, é necessário ajuda efetivamente especializada, equipe multiprofissional. Não é seguro acreditar em fórmulas caseiras, já que, inclusive, a possibilidade de suicídio não está descartada.


Ficar olhando vídeos e fotos nas redes sociais pode afetar a saúde mental das pessoas ?


Estudos indicam que sim, e negativamente, sobretudo, junto aos adolescentes, que ignoram o caráter ficcional das redes e do Instagram: seus filtros, poses encomendadas e merchandising. De qualquer forma, as redes vieram para ficar. Uma vez sabendo de seus riscos, elas podem ser uma fonte de networking e troca de saberes, é raro, mas pode ocorrer. Globalmente, os estudos não mostram impacto positivo em ter redes sociais. Além do caráter de fantasia escamoteado, salvo para os influenciadores, não há ganhos diretos e verdadeiros, nem em termos monetários, de saúde mental ou de cultura.



Como manter o foco ao estudar ou trabalhar dentro de casa ?


Difícil, já que com a pandemia espaços privados em casa são raros. A maior parte dos lares brasileiros só tem um equipamento para as Tecnologias de Informação. Se estudar dispensa essa tecnologia, a ideia é ter foco mesmo é conhecer seu ritmo de aprendizagem. O método pomodoro tem ajudado muito os mais ansiosos, pois ele alterna 15 minutos de estudo com uma pausa.

E para finalizar perguntamos quando devemos procurar a ajuda de um especialista ?


Sempre que você considerar que não está dando conta de coisas que você fazia antes, sempre que surgirem pensamentos atípicos ou disfuncionais em um grau que seja incomum na sua vida. Se for uma resposta a eventos de vida, o profissional lhe dirá.


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