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Ex-aluna da UCSal é símbolo apagado contra a Ditadura

Baiana, Estudante de Geografia na Universidade Católica do Salvador, e militante do PCdoB, tem história apagada pela ditadura.

Ian Santana – 18/01/2023

 

Reprodução/Memórias da Ditadura

Em 23 de março de 1949, em Vitória da Conquista, nascia Dinaelza Santana Coqueiro. Ela foi a terceira de sete irmãos e tinha o apelido de "Diná" entre amigos.


Em busca de melhorar a condição de vida, sua família se mudou pra Jequié em 1957. Lá, ela desenvolveu o amor e a rotina com os livros, participando ativamente de um grupo literário com sua irmã, Diva, criando um senso político e crítico que viria a ser crucial em sua jornada.


Já no auge da Ditadura empresarial-militar, em 1969, Diná se muda para Salvador e passa em um vestibular para estudar Geografia, na Universidade Católica do Salvador. Já organizada politicamente no PCdoB (Partido Comunista do Brasil) dentro da ilegalidade, conhece na faculdade seu futuro marido e companheiro de militância e partido, Vandick Reidner Pereira Coqueiro. Mesmo com a rotina difícil entre trabalhos, estudos e atividades políticas clandestinas, eles se casam pouquíssimo tempo depois, em 25 de abril de 1970.

Convicta ideologicamente, Dinaelza compreendia que a única forma de derrubar a Ditadura seria com a luta armada, então, com mais de 80 guerrilheiros convocados para a Guerrilha do Araguaia, ela parte para a região amazônica brasileira em março de 1971. A guerrilha, que teve fim em 1974, resultou na morte de mais de 60 comunistas que lutavam contra um exército de 5 mil militares.


Para a família, Diná sumiu deixando-os apenas com cartas que recebiam aos poucos. Até que, ao longo do tempo, as cartas foram parando de chegar, dando lugar para o mistério sobre a morte da mulher.


Segundo a CNV (Comitê Nacional da Verdade) a militante morreu com apenas 25 anos de idade, porém a causa da morte e até mesmo a data específica do acontecimento são indefinidos (a data está entre 5 a 9 de abril de 1974).


Sua irmã, Diva Santana, hoje é militante dos Direitos Humanos e faz parte do movimento "Tortura Nunca Mais", além de ser conselheira da Comissão Especial sobre mortos e Desaparecidos políticos, na Bahia. Em entrevista a Uol, ela denunciou a relação amigável que Jair Bolsonaro, ex-presidente da república, tinha com Sebastião Curió, torturador da Ditadura que teve como uma de suas vítimas, a sua irmã Dinaelza.


Reprodução/Facebook do senador Chico Rodrigues (DEM-RR)

"Fiquei perplexa. Lamento que um assassino, criminoso, torturador seja recebido pelo presidente da nação que foi eleito pelo voto do povo. Curió deveria estar cumprindo pena pelos seus assassinatos". Alguns meses depois do encontro, em agosto do ano passado, o Major Curió morreu.


Hoje, com uma história apagada e desconhecida, Dinaelza recebe como homenagem uma rua com seu nome, na sua cidade natal, além de uma creche no mesmo endereço.


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