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Descrença no jornalismo é isca para extremismo político

Segundo pesquisa, 54% dos brasileiros evitam os noticiários, deixando um abismo de desinformação corromper os debates.

Ian Santana - 13/10/2022

 

Reprodução/Freepik


Não é novidade que através da internet e sua propagação constante se ganhou uma imersão muito mais ampla e instantânea a informação, onde todos os grandes eventos mundiais são assistidos de forma conjunta em qualquer canto do globo. Porém a impressão de que esta tecnologia nos aproximou do jornalismo de maneira mais dinâmica é uma ideia falsa, já que em vez de propagar as grandes mídias, as redes sociais apenas tendem a compartilhar qualquer nova fonte de conhecimento, o que têm se tornado cada vez mais perigoso.


No dia 15 de junho deste ano (2022), o Reuters Institute of Journalism, da Universidade da Oxford, publicou uma pesquisa feita com quase 100 mil pessoas de 46 países, sendo um destes o Brasil. O resultado comprova o que já se percebe, a audiência perdeu a confiança na mídia e nos jornalistas, o que causa dificuldade de manter os leitores como clientes, além da abrupta ascensão das plataformas digitais perante os jornais televisivos ou impressos. Também foi calculado que 54% dos brasileiros preferem evitar os noticiários, este número é o dobro do que se identificava em 2017 pelo mesmo instituto. Nesta porcentagem, as pessoas dentro do espectro político da esquerda afirmam que evitam as notícias pois elas pioram o seu humor, já as de direita, em sua maioria, acreditam que tudo que é publico é mentira.


Pedro França/Agência Senado

Acontece que quem tenta fugir das notícias apenas não assiste ou lê as matérias de grande mídia, mas mesmo que sem querer, recebe informações novas constantemente através do celular, seja pelos aplicativos de mensagem numa conversa informal ou através de publicações de pessoas ou empresas que não têm responsabilidade formal com o jornalismo. Assim, se torna muito fácil para alguém com interesses políticos corruptos compartilhar informações falsas, sendo até mesmo capaz de causar histerias em épocas de eleições que resultam em mortes literais. Acreditar, portanto, que está fugindo das notícias, acaba sendo apenas uma ingenuidade que se transforma em um discurso perfeito para a proliferação ainda maior de "fake news" e desespero coletivo.


Considerando que estas mesmas redes criam algoritmos "perfeitos" para os seus usuários, é comum que alguém com determinada posição política veja somente coisas relacionadas às suas crenças, causando uma falsa impressão de pertencimento e grandiosidade. Assim se observa a ressurreição de movimentos de extrema-direita cada vez mais potentes no mundo inteiro, assim como no Brasil. Inundados por uma falsa guerra pela "verdade", sobra aos extremistas apenas o combate violento principalmente com os jornalistas e comunicólogos, já que seria esta a classe responsável por "compartilhar a verdade", que no caso seria a afirmação de suas ideias. Assim, os conflitos políticos se tornam cada vez mais sangrentos, pois na tela do seu celular, todos observam ser donos da razão absoluta, acabando com qualquer opção de diálogo ou leitura.


Em suma, deve-se compreender a importância de ler e procurar compreender as diferentes visões de mundo, ler as notícias, buscar compreender e questionar seus princípios, este é o papel básico para se fortalecer não só politicamente, como profissionalmente. Agir de forma oposta a isso é cair na "isca" política que tenta desarmar o debate inteligente e democrático.




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